terça-feira, 2 de novembro de 2010

O deslocamento do eixo agroexportador ao urbano-industrial.

A história da atividade industrial no Brasil é marcada por lapsos e pequenos surtos desde antes da vinda da família portuguesa em 1808 para a colônia. É bem sabido que a produção manufatereira já era proibida na colônia em face da não concorrência com a insipiente manufatura portuguesa já desbaratada pela hegemonia do industrialismo inglês.

No entanto, há que se destacar que era permitido no Brasil - como excessão a proibição - à época colonial antes da vinda da família real, a manufatura de panos brutos para as vestes dos súditos da colônia, em principal, à massa escrava, e se assim puder entender, havia ainda a pequena manufatura das oficinas, dos artesãos e consectariamente da agroindústrua fundada na prática de plantations.

Após a chegada da Família Real Portuguesa, ocorre a estimulação de industrias no afã de atender a demanda do mercado interno, no entanto, nascendo esta iniciativa, já com o malogro que herdaria da política externa portuguesa, ao estabelecer os tratados de comércio e navegação em 1810 com a Inglaterra, o qual lhe beneficiava como nação favorecida nas práticas de importação com um imposto alfandegário de apenas 15% (quinze por cento) incidentes sobre produtos ingleses.

Já em 1844 o Brasil reverteu com a iniciativa dos liberais, sob o comando da Majestade Pedro II, ainda menino, a herança do tratado de 1810 e da renovação do mesmo tratado obtida no governo de Pedro I, com o advento das tarifas Alves Branco, elevando os impostos de importação para uma margem entre 20 e 60%, restando aos produtos similares importados aos produzidos em manufaturas brasileiras a incidência mais alta de impostos de importação. Deste evento surge um impulsionamento industrial que soma ainda à disponibilidade da liberação de capital proveniente da lei que efetivamente marcou o fim do tráfico negreiro, Eusébio de Queiróz em 1850, após as pressões inglesas com o Bill Aberdeen (Brazilian Act) e disponibilizou capital derivado do setor do tráfico negreiro.

Durante o período que marca o processo de independência e o período da República Velha marcada pela política dos governadores de Campos Sales, é que o setor protagonista do modelo agroexportador entra em crise vertiginosa. Primeiramente com o sucesso da implantação da mão de obra estrangeira proveniente da grande imigração em massa de 1880 à 1930 para sustentar a passagem do modelo escravocrata ao modelo do trabalho assalariado, ocorre o aumento exponencial da oferta do café brasileiro no mercado mundial, e como consequência sua desvalorização ao que se reconhece pelo setor no convênio de taubaté em 1906 e posteriormente, através de várias políticas de valorização do café. E por fim com a quebra da economia mundial proveniente do crash de 1929.

A incidência do plano desenvolvimentista industrial ocorre a partir dos anos de 1920 e 1930, em que já encontravam-se em cheque as estruturas oligárquicas coronelísticas e principalmente o modelo agroexportador com as crises sucessivas abordadas. Ora, o fato mais interessante do deslocamento do eixo agroexportador ao urbano-industrial, marca-se pela consonância de interesses dos dois setores. Primeiramente porque, muitos empresários agrícolas, simplesmente adotaram a transferância de capital de um setor a outro, pelo que, se pode ter em conta a hegemonia deste núcleo, (evitando-se no entanto a simples caracterização deste fato como uma verdade, vez que as classes se mantiveram reguardadas de seus vários interesses particulares inerentes ao setor específico) no entanto, clara a visualização do interesse mútuo da prática da desapreciação cambial com o intuito da otimização do corredor de exportação, seja de produtos agrícolas, seja de manufaturados.

Por fim, é possível notar então sem mais delongas o desenvolvimento deste processo ao longo do período histórico de formação da concepção industrial brasileira, com a desembocada espontânea e não planejada de um setor industrial, que representou a mudança paradigmática, mas não definitiva, de um modelo que inaugura a passagem da velha República para o período Vargas na história do Brasil e o desenvolvimento deste pólo no bojo das criações de várias autarquias por iniciativa posterior de Getúlio já no intuito do fortalecimento das forças armadas brasileiras que intensifica-se ainda mais com os incentivos governamentais no governo presidencialista de JK para a efetiva modernização do país.


3 comentários:

  1. Pela leitura rápida que pude fazer, percebi que o blog está muito bom e que ele promete.
    Em outra oportunidade voltarei e comentarei com maior direcionamento às postagens.
    Parabéns Cássio, abraços!

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